“As memórias permanecem, e ás vezes elas nos fazem virar em uma curva importante ou ela nos ensina à voar.
“Em verdade, era um temperamento moderado, sem extremos, nem grandes lágrimas, nem grandes risos. (…) Tudo nela era atenuado e passivo. O próprio rosto era mediano, nem bonito nem feio. Era o que chamamos de uma pessoa simpática. Não dizia mal de ninguém, perdoava tudo. Não sabia odiar, pode ser até que não soubesse amar.
“- Sabe zé, essa droga me faz tão mal.
- Mas pequena, tu tens que deixar de se drogar.
- Então me ensine, como se deixa de amar?
Essa maldita droga, chamada amor. (quesejaamavel)
“Uma última pergunta:
O que fazer com a saudade?
“Não tem o que fazer, não tem o que dizer, não tem o que sentir. Sou uma ferida fechada. Sou uma hemorragia estancada. Tenho medo de deixar sair uma letra ou um som e, de repente, desmoronar.
“Primeiro eu chorei, porque pensei que iria aliviar.
Depois chorei mais, porque não aliviou nada.
Depois chorei mais um pouco, porque havia chorado em vão.
Aí sim parei de chorar; lavou e aliviou tudo o que em mim pesava.
“E a gente tenta não pensar no que é triste. Foca no que é bom, menina. Tudo passa. E se não passar, a gente inventa um jeito de fazer ser melhor.